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Herberto Helder □ Mulheres


Mulheres correndo, correndo pela noite

Mulheres correndo, correndo pela noite.
O som de mulheres correndo, lembradas, correndo
como éguas abertas, como sonoras
corredoras magnólias.
Mulheres pela noite dentro levando nas patas
grandiosos lenços brancos.
Correndo com lenços muito vivos nas patas
pela noite dentro.
Lenços vivos com suas patas abertas
como magnólias
correndo, lembradas, patas pela noite
viva. Levando, lembrando, correndo.

É o som delas batendo como estrelas
nas portas. O céu por cima, as crinas negras
batendo: é o som delas. Lembradas,
correndo. Estrelas. Eu ouço: passam, lembrando.
As grandiosas patas brancas abertas no som,
à porta, com o céu lembrando.
Crinas correndo pela noite, lenços vivos
batendo como magnólias levadas pela noite,
abertas, correndo, lembrando
.

De repente, as letras. O rosto sufocado como
se fosse abril num canto da noite.
O rosto no meio das letras, sufocado a um canto,
de repente.
Mulheres correndo, de porta em porta, com lenços
sufocados, lembrando letras, levando
lenços, letras - nas patas
negras, grandiosamente abertas.
Como se fosse abril, sufocadas no meio.
Era o som delas, como se fosse abril a um canto
da noite, lembrando.

Ouço: são elas que partem. E levam
o sangue cheio de letras, as patas floridas
sobre a cabeça, correndo, pensando.
Atiram-se para a noite com o sonho terrível
de um lenço vivo.
E vão batendo com as estrelas nas portas. E sobre
a cabeça branca, as patas lembrando
pela noite dentro.
O rosto sufocado, o som abrindo, muito
lembrado. E a cabeça correndo, e eu ouço:
são elas que partem, pensando.

Então acordo de dentro e, lembrando, fico
de lado. E ouço correr, levando
grandiosos lenços contra a noite com estrelas
batendo nas patas
como magnólias pensando, abertas, correndo.
Ouço de lado: é o som. São elas, lembrando
de lado, com as patas
no meio das letras, o rosto sufocado
correndo pelas portas grandiosas, as crinas
brancas batendo. E eu ouço: é o som delas
com as patas negras, com as magnólias negras
contra a noite.

Correndo, lembrando, batendo.

Herberto Helder#




Herberto Helder #Donne correndo, correndo per la notte
Donne correndo, correndo per la notte.
Il suono di donne correndo, ricordate, correndo

come giumente aperte, come sonore
corritrici  magnolie.
Donne per la notte dentro portando sulle zampe
grandiosi fazzoletti bianchi.
Correndo con fazzoletti molto vivi  sulle zampe
per la notte dentro.
Fazzoletti vivi con le loro zampe aperte
come magnolie
correndo, ricordate, zampe per la notte
viva. Portando, ricordando, correndo.

 
E’ il suono di quelle che come stelle picchiando
sulle porte. Il cielo in vetta, la criniera nera
sbattendo: è il loro suono. Ricordate,
correndo. Stelle. Io ascolto: passano, ricordando.
Le grandiose zampe bianche aperte nel suono,
alla porta, con il cielo ricordando.
Capelli correndo per la notte, fazzoletti vivi
che sbattono come magnolie  portate per la notte,
aperte, correndo, ricordando.

 
All’improvviso, quelle lettere. Il viso soffocato come
se fosse aprile in un canto della notte.
La faccia nel mezzo delle lettere, soffocata in un angolo,
improvvisamente.
Donne correndo, di porta in porta, con fazzoletti
soffocati, nel ricordare lettere, portando
fazzoletti, lettere – sulle gambe
livide, maestosamente aperte.
Come se fosse aprile, soffocate nel mezzo.
Era il loro suono, come se fosse aprile in un angolo
della notte, ricordando.

Ascolto: sono loro che partono. E portano
il sangue pieno di lettere, le zampe floride
sopra la testa, correndo, pensando.
Si avventurano per la notte come il sogno terribile
di un fazzoletto di carne.
E vanno picchiando come stelle sulle porte. E sopra
la testa bianca, le zampe ricordando
nella notte dentro.
La faccia soffocata, il suono che si schiude, ricordato
troppo. E la testa correndo, e io ascolto:
sono quelle che partono, pensando.


Herberto Helder Donne correndo

# trad. di v.s.gaudio 
 
Allora accordo dentro e, ricordando, resto
di lato. E ascolto correre, portando
maestosi fazzoletti contro la notte come stelle
sbattendo sulle zampe
come magnolie pensando, aperte, correndo.
Ascolto di lato: è il suono. Sono loro, ricordando
di lato, con le zampe
nel mezzo delle lettere, la faccia soffocata
correndo per le porte grandiose, le criniere
bianche sbattendo. E io ascolto: è il loro suono
con le zampe livide, con le magnolie livide
contro la notte.

 Correndo, ricordando, battendo.

 
# trad. di v.s.gaudio